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Abrangência

Segundo o IPUF – Instituto de Planejamento e Urbanismo de Florianópolis – (relatório sobre o Perfil das Áreas Carentes do Município, 1993:p.25), cerca de 16,6% da população do município vive sob condições extremamente precárias, identificadas em vários "bolsões populacionais", onde cerca de 70% das famílias têm renda entre 0 a 3 salários mínimos.

 A Fundação Vidal Ramos está localizada à rua Vitor Konder, nº 321, centro – Florianópolis, ao lado do MORRO DA CRUZ (uma das áreas de maior concentração de famílias de baixa renda de Florianópolis), além de atender outros bairros da Grande Florianópolis.

Estas áreas, além de carências sócio-econômicas, apresentam problemas de habitação, infra-estrutura sanitária e de equipamentos urbanos. É no Maciço do Morro da Cruz, denominação esta que designa geograficamente um enorme aglomerado de rochas maciças, em que residem milhares de habitantes, compreendendo uma enorme diversidade cultural, com imigrantes vindos de vários Estados, e, principalmente, de municípios do interior de Santa Catarina. São famílias inteiras que saíram de seus locais de origem em busca de melhores condições de vida. A ilusão de que a capital de Santa Catarina é a melhor cidade para se viver em todo o Estado e até mesmo uma das melhores do país, faz com que famílias inteiras se desloquem do seu lugar de origem e venham tentar a vida aqui, e quando chegam, acabam por ocupar o topo dos morros como uma das únicas alternativas, optando principalmente devido a proximidade com os equipamentos urbanos: postos de saúde, creches e escolas, mercados e locais de trabalho. Conseqüentemente ocasionando a favelização, o acúmulo do lixo urbano, os desmoronamentos, a proliferação de doenças e a inexistência de qualidade de vida. Diante desta realidade, Florianópolis é contrastada por dois cenários: a parte baixa e a parte alta dos Morros. Na parte baixa estão situados os prédios das repartições e do comércio, as casas dos moradores de classe média e média alta da cidade, rodeados por todos os equipamentos urbanos (hospitais, farmácias, transportes, locais para lazer e cultura, urbanização e saneamento, etc...). Já nas partes mais altas, nas encostas dos morros, ficam os sobrados, os barracos, as favelas. Nestas encostas, suas ruelas estreitas, são cortadas por imensas escadarias, quando não, ruas de chão, becos estreitos e sem infra-estrutura.

É exatamente contígua a esta área (do maciço do Morro da Cruz), de grande densidade populacional, caracterizada pela exclusão social e baixo Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, que a Fundação Vidal Ramos tem o objetivo maior de estar atendendo, em imóvel da própria Fundação (conforme atesta cópia da Certidão do Cartório do 1º Ofício de Registro de Imóveis Kirana Atherino Lacerda). Além disso, a avenida que margeia o maciço do Morro da Cruz – Avenida Mauro Ramos – que dista aprox. 150 metros do imóvel citado é um dos principais corredores de transporte urbano de Florianópolis, garantindo o acesso fácil ao projeto, a partir de outras regiões da cidade. Finalmente, ressalte-se que o fato da Fundação Vidal Ramos encontrar-se no “pé do Morro”, ao invés de inserí-la em um ponto específico do próprio Morro, evita um sério problema de disputa entre grupos rivais ligados ao tráfico de drogas que proíbem, por exemplo, que jovens de uma determinada região freqüentem áreas dentro do domínio geográfico de outros grupos rivais.